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Custo histórico, custo de reposição ou valor justo: qual base usar para bens públicos

Toda avaliação de bem público começa por uma pergunta: qual valor estamos procurando? O que foi pago na compra, quanto custaria repor o bem hoje ou por quanto ele seria trocado no mercado são respostas diferentes, e cada uma serve a uma situação. A Estrutura Conceitual das NBC TSP chama essas respostas de bases de mensuração.

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Custo histórico

É o valor pago para adquirir ou construir o bem, somado aos gastos necessários para colocá-lo em uso. É a base do reconhecimento inicial nas compras comuns: há nota fiscal, contrato e empenho que comprovam o valor. O limite é que, com o tempo e a inflação, ele deixa de representar o que o bem vale.

Valor justo

É o valor pelo qual o bem poderia ser trocado entre partes conhecedoras e interessadas, em condições de mercado. É a base da reavaliação pela NBC TSP 07 e do reconhecimento de bens recebidos sem custo, como as doações. Para bens com mercado ativo, como veículos, equipamentos e imóveis urbanos, ele é estimado a partir de preços de mercado.

Custo de reposição depreciado

Muitos bens públicos não têm mercado: uma escola, uma ponte, uma rede de drenagem. Para eles, o valor justo pode ser estimado pelo custo de reposição depreciado, isto é, quanto custaria construir um bem com o mesmo potencial de serviços hoje, descontado o desgaste. É o método usual para infraestrutura, ancorado em tabelas oficiais de custo e em escalas de depreciação como a de Ross-Heidecke.

Como escolher

Na compra, custo histórico. Na doação ou na reavaliação, valor justo: por preço de mercado quando ele existe, por custo de reposição depreciado quando não existe. A escolha vale para a classe inteira de bens e precisa ser informada nas notas explicativas.

O que torna o valor defensável

Qualquer que seja a base, o valor precisa de origem: cotações com evidência para bens móveis, laudo pela NBR 14.653 para imóveis e composição de custo com preços oficiais para infraestrutura. Sem memória de cálculo, o número não resiste à primeira pergunta do controle interno.

Passo a passo

  1. Identificar a situação: compra, doação, reavaliação ou teste de recuperabilidade.
  2. Verificar se o bem tem mercado ativo.
  3. Escolher a base: custo histórico, valor de mercado ou custo de reposição depreciado.
  4. Coletar as fontes de preço e as evidências do estado do bem.
  5. Calcular o valor com memória de cálculo e registrar a base usada na classe.
  6. Evidenciar a base de mensuração nas notas explicativas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre valor justo e custo de reposição?

O valor justo é o preço de troca em condições de mercado. O custo de reposição é quanto custaria repor o bem com o mesmo potencial de serviços; depreciado, ele é uma forma de estimar o valor justo de bens que não têm mercado, como os de infraestrutura.

Posso usar bases diferentes para bens da mesma classe?

Não. Pela NBC TSP 07, o modelo de mensuração após o reconhecimento, seja o do custo ou o da reavaliação, é aplicado à classe inteira de bens.

Onde fica registrada a base de mensuração?

No cadastro de cada bem e, de forma consolidada por classe, nas notas explicativas das demonstrações contábeis.

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